Profa. Leila na impr : Fantástico - Rede Globo:Crianças acham que brigas dos pais podem rachar família
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Crianças acham que brigas dos pais podem rachar família Psicóloga diz que problemas do casal não devem ser discutidos na frente dos filhos.
Profa. Leila Tardivo - Fantástico - Rede Globo 25 de outubro de 2009
Crianças acham que brigas dos pais podem rachar família Psicóloga diz que problemas do casal não devem ser discutidos na frente dos filhos.
Brigas entre o pai e a mãe. Foi por causa disso que, na semana passada, Jefferson viajou quase 600 quilômetros escondido embaixo de um ônibus. Foi para Aparecida, em São Paulo.
“Vim pagar uma promessa pro meu pai e minha mãe parar de brigar”, afirma Jefferson. O menino chegou a desenhar a imagem de Nossa Senhora.
Desenhos de criança podem mesmo ser reveladores. Os traços infantis ajudam a psicóloga Leila Tardivo a entender como a relação entre os pais afeta os filhos.
“Você observa a criança atrás da porta escutando, sofrendo com a situação que ela também não pode compreender, o pai xingando a mãe e a mãe dizendo o tanto que tem que trabalhar”, diz a psicóloga Leila Tardivo.
“Parou a briga de uma hora pra outra, e ficou um grande silêncio. É um silêncio de angústia, um silêncio pesado, ou seja, não há solução”, explica a psicóloga.
Os desabafos ganharam as páginas da internet. Em um site de relacionamentos uma menina de 8 anos criou a comunidade – ‘Odeio quando meus pais brigam’.
Os desenhos feitos por Luca, de 10 anos, usou as frases das crianças pra soltar a imaginação.
“Eu imaginei que elas ficavam muito tristes”, conta o menino.
“Briga sempre faz mal. Quando a criança começar a demonstrar no comportamento já está fazendo muito mal”, diz a psicóloga.
Em um grupo entrevistado, todo mundo também já viu os pais brigarem.
“Às vezes eles brigam, às vezes não. Por motivos bobos”, diz Clarissa Cortez Monteiro, de 9 anos.
“Um dia meu pai foi comprar, só que ele não foi e minha mãe brigou”, conta Marcelo, irmão de Clarissa.
“Eles queriam que eu passasse o Natal com o meu pai, com a família do meu pai e a minha mãe queria que eu passasse com a família dela”, diz Anne Rodini Amato, de 9 anos.
E os pais dessas crianças acompanharam, de longe, o que os filhos disseram sobre as brigas deles. E se assustaram um pouco.
“A gente acha que as crianças tomam uma visão muito diferente da nossa. Uma discussão que você acha, que às vezes é uma palavra qualquer, bobeira, pra eles parece que tem um grau muito maior”, explicou Jean Francesco Costa, pai de Gabriela e Carolina.
Tão maior que as crianças costumam achar que a briga pode rachar a família.
“Quando eles brigam, vem na cabeça, será que eles vão se separar?”, diz Anne.
“Ponho minha cara no travesseiro e fico pensando. Daí se eu penso que eles vão se separar, começo a chorar”, diz Lucas Rodini Amato.
E que a responsabilidade é delas.
Já se sentiram culpados quando viram os pais brigando?
“Quando a minha mãe ou o meu pai estão tristes, eu sempre procuro ir lá, mas eu acho que é culpa minha e da minha irmã”, afirma Gabriela Afonso da Costa.
“Nessa situação de passar o que ta acontecendo pra eles, da mais segurança pra eles também. As vezes você tem uma briga, você ta triste. Tô triste, mas vai passar, porque se você falar não, eu não to triste, então você tem uma mensagem distorcida”, pegar Cíntia Marcili Costa,mãe de Gabriela e Carolina.
A psicóloga diz que problemas do casal não devem ser discutidos na frente dos filhos. Mas outros assuntos podem, desde que seja uma conversa civilizada.
“É saudável ter contato com a verdade. E desde que respeite as pautas de desenvolvimento. Você não vai discutir realidade financeira com uma criança de dois anos”, explica a psicóloga.
“Eles tem que ser preparados para o mundo, lógico que paulatinamente isso. Então a gente sempre procura falar do que ocorre na vida”, diz Douglas Amato, pai de Anne e Lucas.
“Se eles se escolheram é porque eles se amam, então porque o motivo de brigar?”, questiona Carolina Afonso Costa.